"As coisas têm um brilho que com o tempo se vai."
(Kurt Cobain)
Eu sei o que quero. Só não sei como explicar. Meu eu lírico
tirou férias. As palavras calaram-se e foram embora, sem nem olhar para trás. As letras emudeceram-se. Enquanto isso, eu, na minha
ira contida, procuro ignorar as contradições. E em algumas horas desesperadas chego até a ter audácia suficiente para
ignorar também a realidade, assim meio desconfiada. Não lembrei de esquecer de me
preocupar tanto com as incertezas do futuro, cega diante das possibilidades de
um desterro não tão feliz quanto o planejado. Cada passo que dou, me retraio
por dentro e me contorço em um enorme medo de que o jeito que tenho dado para
resolver as coisas não seja o jeito certo. Quero me doar às asas da
casualidade, mas meu instinto racional – que irônico, dizendo assim – não
permite tanta esperança. Os demônios acordam quando os anjos vão dormir. Se fosse dessas que acreditam em sorte, ousaria dizer
que não a tenho. Talvez não tenha justamente por isso, como um castigo por não
acreditar nela. Mas a sorte que me perdoe, ouso dizer, pois me tornei perita na
arte de desacreditar nas coisas. Sou uma pequena manipuladora de palavras, como
alguém que sente prazer em procurar a coisa certa a dizer: e na busca, acaba se
deparando com o silêncio das palavras que não disse. Quem vê cara não vê
intenção; mas quem ouviu o silêncio escutou tudo o que precisava ser dito.
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O Grande Kurt Cobain (1967-1994). |
Às vezes é difícil acreditar na sorte ou qualquer que dizem vir dela. Às vezes é preciso se isolar, desacreditar de tudo, para, assim, encontrar o que realmente importa.
ResponderExcluirAté,
bjo, bjo, bjo...
E encontrar o que realmente importa demora, porque temos uma certa resistência em assumir o que de fato é importante...
ExcluirMarina! Prazer tê-la por aqui!
Muito bem escrito, muito bem dito.
ResponderExcluirTirar férias como dizes é uma corrosão que vai mastigando, mastigando... e as vezes consome tanto da alma que o mundo se abre em cratera
Sua gentileza é encantadora, Jose Vitor, agradeço pelo elogio!
ExcluirCertamento o mundo aberto em uma cratera é o que tenho visto já há muito tempo, talvez até ao ponto de me acostumar...